“Eu sei que atrás desse universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada. Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que não suporto ouvir e dela não me conformo. Eu acredito em tudo, mas quero você agora! Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida. Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas. Amo o teu jogo triste e as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, te amo pela tua essência e te amo até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te rebanhado nas águas do equívoco. Te amo nas horas infernais e na vida sem tempo. Te amo pelas crianças e futuras rugas. Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelo teus sonhos inúteis. Amo teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras e te amo desde os teus pés até o que te escapa. Te amo de alma para alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila.”
— Fernando Pessoa.
“Sempre admirei o vilão, o fora da lei, o filho da puta. Não gosto dos garotos bem-barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de surpresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os emprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.”
— Charles Bukowski.
“A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.”
— Hebreus 11:1
“Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo.”
— Nietzsche.
“Eu decorei os teus sorrisos, digo, todos eles.
Você sorri quando me vê, esse foi bem fácil de perceber, é sempre longo e da pra ver os teus dentes inferiores. Você sorri por educação, esse é bem rápido. Você sorri quando acha algo engraçado e esse sempre vira gargalhada e te deixa sem fôlego. Você sorri quando está com vergonha e as suas faces coradas falam por você. Você sorri quando te fazem uma surpresa, esse também foi fácil de perceber, teus olhos sempre ficam marejados. Você sorri quando lembra de alguma coisa e o seu olhar fica paralisado. Você sorri quando diz que me ama e esse se parece bastante com o seu sorriso tímido. Você fecha a cara quando diz que me odeia, mas você sorri com os olhos.”
— Querido John.
“A solidão não é um tédio, é um remédio. É na solidão que travamos as melhores conversas de nossas vidas, porque só em silêncio absoluto é possível ouvir a voz do nosso próprio coração. É quando a boca se cala, não há ninguém para trocar palavras e nem sorrisos, que devemos buscar a nós mesmos. Notem que as pessoas que detestam ficar sozinhas, são as mais desesperadas pela fuga, assim como crianças que fogem das lições dadas pelos pais. A solidão é um luxo, não um lixo. Nos aproxima de nós mesmos, como nada mais faz. As melhores ideias certamente surgiram nestes momentos introspectivos e trancados numa sala vazia. Livros surgem, é claro, pela observação do mundo mas, depois disso, são necessários inúmeros momentos de reflexão e solidão. Porque somos aquilo que somos, sem medo ou vergonha. Quem tem medo de ficar sozinho, tem medo da própria repressão. Tem medo do próprio julgamento. Mas quem é que pode crescer sem uma briga interna? Devemos travar nossas próprias batalhas para desenvolver nossas estratégias de guerra. Chorar, ler um livro, inventar teorias sobre o universo, criar um poema, estudar toda a matéria de história e tentar ligar os fatos, cantar uma música nostálgica, abrir uma página qualquer de um livro qualquer e, a partir daquele trecho, tentar se lembrar da continuação. A solidão é uma dádiva, não uma dívida! Falar sozinho, rir para o espelho, olhar para o teto, fazer uma obra de arte, ver fotografias. Alguém duvida de que são esses os momentos em que nos encontramos? Alguém duvida de que no choro, refletimos sobre felicidade; no livro, sobre metalinguagem; na música, sobre o que éramos algum tempo antes e no espelho, sobre quem somos hoje? É um encontro do eu com o eu. E quer alguém melhor para nos entender do que nós mesmos? A solidão tem mais vantagens do que se pensa.”
— rio-doce
“Mas não consigo deixar de pensar nos anos em quartos solitários, quando as únicas pessoas que batiam à minha porta eram as senhorias cobrando o aluguel atrasado ou o FBI. Vivia com ratos e camundongos e vinho, meu sangue escorria pelas paredes em um mundo que não conseguia compreender e ainda não compreendo. Em vez de levar a vida que eles levavam, eu passava fome. Fugia para dentro de minha própria mente e me escondia. Fechava todas as cortinas e ficava olhando para o teto. Quando saía, era para ir a um bar onde eu mendigava por bebida, andava a esmo, apanhava nos becos de homens bem-alimentados e confiantes, de homens idiotas e com vidas confortáveis. Bem, ganhei algumas lutas, mas só porque era louco. Fiquei anos sem mulher, vivia de manteiga de amendoim e pão amanhecido e batatas cozidas. Eu era o idiota, o estúpido, o louco. Queria escrever, mas a máquina de escrever estava sempre penhorada. Então eu desistia e bebia…”
— Charles Bukowski.
“Já não corro mais atrás de ninguém porque simplesmente entendi que não vale a pena. Seja uma amizade ou um amor. Se a pessoa é digna de você ela nunca estará nem a frente nem atrás, ela estará sempre do seu lado. Se você tem que correr atrás, então é porque a pessoa está fugindo de você. Sinceramente? Não vale a pena querer quem não nos quer! O mundo gira, tudo muda o tempo todo e tudo se renova, inclusive as pessoas de nossa vida. Apenas espere pelo melhor e saiba reconhecê-lo quando ele estiver do seu lado. Se tiver de ser será, e se for verdadeiro volta.”
— Pedro Bial.
“Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.”
— Charles Bukowski.
“Eu era um pássaro ferido. Era vizinho de porta da solidão e recebia constantes visitas da decepção. Eu era tolo e não me dava conta. Que merda! Eu era um cego. Vivia com a visão embaçada. Acreditava em tudo que via. Tudo. Morri algumas vezes, mas sobrevivi. Alçava voo, mas logo me espatifava. Que vida danada! Não perdia a chance de me dar uma rasteira. Minha razão e emoção estavam sempre em pé de guerra. E eu ficava ferido. Indeciso. Não há nada mais torturante do que a indecisão. Eu era um idiota. Um estupido. Minhas asas haviam sido cortadas há muito tempo. Sonhar pra que? Era isso que eu pensava. Tinha medo de voar e me espatifar novamente. Meu quarto era o meu refugio. Ali eu me sentia bem. Um livro pode me ferir? Não. Música? Dependendo do conteúdo, algumas lágrimas eu poderia chorar. Eu já estava acostumado. Vivia no meu mundinho. Escondido da sociedade. Ela não sabia da minha existência. Nem eu sabia.”
— Thomaz Torres.